Governo reforça defesa do fim da escala 6×1 e propõe 5×2 com 40 horas semanais

Em um momento em que o debate sobre a organização da jornada de trabalho ganha novos contornos em Brasília, o governo federal voltou a reafirmar sua posição pelo fim da escala 6×1 — regime de seis dias trabalhados por um de descanso — e pela adoção de um modelo 5×2, com dois dias de folga por semana e jornada máxima de 40 horas.

A ministra das Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, destacou recentemente em pronunciamento que a proposta está sendo priorizada pelo Executivo e reforça o compromisso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com melhores condições de vida e trabalho para os brasileiros. Segundo ela, reduzir apenas a carga de horas não é suficiente se os trabalhadores continuarem sujeitos a uma escala com apenas um dia de descanso por semana. A nova proposta defendida pelo Planalto busca, além da redução da jornada, garantir tempo de lazer, convivência familiar e saúde para os trabalhadores, sem diminuição de salários.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, complementou essa perspectiva ao afirmar que a realidade concreta do debate atual é caminhar para um modelo em que a jornada semanal não ultrapasse 40 horas e que a escala 6×1 seja substituída progressivamente por uma organização de trabalho com dois dias livres, ou seja, a clássica escala 5×2. Marinho ressaltou em entrevistas que mudanças mais profundas, como jornadas de 36 horas semanais, ainda não teriam suporte imediato dentro da realidade produtiva brasileira, mas que a transição gradual para 40 horas já é vista como viável e prioritária no momento.

O debate ganhou força após um parecer apresentado no âmbito da Câmara dos Deputados, que propôs a redução da jornada sem alterar a escala de seis dias de trabalho. O relatório, no entanto, gerou resistência no governo e entre amplos setores da sociedade, que argumentam que reduzir horas sem modificar a escala não traz os benefícios pretendidos à qualidade de vida do trabalhador.

Paralelamente, outras frentes no Legislativo avançam com propostas mais amplas. No Senado, uma comissão técnica aprovou um texto que prevê a eliminação da escala 6×1 com uma transição progressiva, estabelecendo inicialmente a redução para uma jornada de até 40 horas em cinco dias de trabalho, e posteriormente diminuindo uma hora por ano até alcançar 36 horas semanais. Essa proposta, se aprovada em plenário e nas duas casas do Congresso, poderá alterar de forma definitiva a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nesse ponto.

O posicionamento do governo se apoia tanto em movimentos sociais quanto em pesquisas de opinião que indicam ampla aprovação da população em relação ao fim da escala 6×1. Autoridades federais destacam que a mudança representa não apenas uma questão de direitos trabalhistas, mas também um estímulo à saúde mental, ao lazer e à produtividade. Para setores empresariais, entretanto, a transição exige atenção e planejamento, já que alterações de escala e jornada podem impactar custos de operação, quadro de pessoal e negociações coletivas.

Analistas do mercado de trabalho avaliam que a implementação de uma jornada de trabalho mais equilibrada, com dois dias de descanso por semana, pode representar um ganho em qualidade de vida e, potencialmente, em produtividade. Por outro lado, ressaltam a necessidade de diálogo com o setor produtivo para a construção de uma transição sustentável, que considere as especificidades econômicas de diferentes regiões e segmentos, especialmente setores com maior uso de escalas diferenciadas, como comércio e serviços.

O cenário de 2026, marcado por debates intensos no Congresso Nacional, indica que a discussão sobre jornada de trabalho e descanso semanal deve continuar em pauta ao longo do ano, com impacto direto em legislação, relações de trabalho e negociações sindicais.

 

Fontes

Agência Brasil
Gov.br – Secretaria de Relações Institucionais
CNN Brasil
O Dia / IstoÉ Dinheiro
Notícias sobre tramitação de propostas legislativas